O VERDADEIRO TERRORISMO MUSICAL


Prefácio

Em 1979, o ABC paulista era o maior complexo industrial do país, empregando milhares de metalúrgicos. Nesta mesma época eram sentidos os primeiros sinais da forte crise social que iria abalar toda a estrutura do país. A Detroit brasileira não produziu apenas greves e desemprego, produziu também rebeldia nos diversos campos culturais, mas principalmente na cena musical, que se valeu da influência do movimento punk que explodira na Europa e EUA, e também da própria vocação.

Simultaneamente com São Paulo, o ABC deu origem à primeira safra de bandas punks, que sem nenhum recurso técnico, só tinham como bagagem o seu próprio grito de insatisfação. O Ulster foi uma destas primeiras bandas a devolver ao sistema uma carga de violência visual e musical que o mesmo impunha.


Início

Em final de 1979, em um galpão industrial de São Bernardo do Campo, começam os ensaios do Ulster, com Betão (depois tocou no Varsóvia) na bateria, Vladi no baixo, Luiz (tocou com Brigada do Ódio e Olho Seco) na guitarra e Mauro no vocal. O som era rápido e barulhento, cheio de garra e energia, com influência direta do punk de 80, como Discharge, Disorder, etc.

O nome Ulster foi inspirado nos terroristas do IRA (Exército Republicano Irlândes), que tratavam batalhas nas ruas de Ulster (nome dado a uma parcela da população), na Irlanda. Em função disso, a maioria das letras tratavam de atos terroristas ocorridos na época, como as músicas M-19, Bandeiras Vermelhas, Morte aos Velhos, etc.

Nesta fase, participaram de duas fitas compilação: "Decaptados" e "Contra tudo que é comercial e nada de novo nos oferece", ambas de 82 e com a presença do Hino Mortal e Submundo. Também fizeram parte do festival punk "O Começo do Fim do Mundo", mas não quiseram participar do disco porque foram prejudicados quanto a qualidade da gravação. (Após 13 anos esse equívoco foi resolvido e a banda entrou na versão Cd com a música "Heresia".

A banda se destacava das demais na hora de se apresentar. Eles tinham uma performance excelente e totalmente agressiva em cima do palco, pois sempre apareciam de capuz negro nos rostos, parecento verdadeiros terroristas, aliados a incrível massa sonora que produziam. Por fim, O Ulster encerrou seus trabalhos devido principalmente ao "fracasso" do movimento punk.


O Retorno

Vladi fala sobre o retorno: " Em 1994, 12 anos após a última aparição, o Ulster volta à ativa embalado pelo lançamento do compacto M-19. Comigo, Betão, Mauro e Rato (ex-Hino Mortal), deu-se início à segunda fase, que teve também a passagem de vários integrantes, entre eles Fábio (Olho Seco), Hamílton (Varsóvia) e Luiz (guitarrista da primeira formação), até se estabilizar na formação: Vladi, Fábio, Thiago e Johnny. " (recentemente, devido a problemas pessoais, o baixista Thiago saiu da banda, que agora conta com Borella (FDS) no baixo.

kitarat laulu rummut basso 

Desde a retomada até hoje, o Ulster realizou uma boa quantidade de shows, com bandas nacionais como Olho Seco, Ação Direta, Negative Control, Armagedom, Invasores de Cérebro, Subviventes entre outras; bandas estrangeiras, como as lendas inglesas Varukers e GBH, também Entrails Massacre e Hekatombe (ambas da Alemanha), Argies e Muerte Lenta (ambas da Argentina). Nos shows, sempre estivemos com os capuzes que marcaram nossa trajetória polêmica e agressiva.

" Nós registramos duas músicas no "Tributo ao Olho Seco" e lançamos o compacto "Ignorante", split com Negative Control, no melhor estilo "do it yourself" ". Agora, a Rasura Records acaba de lançar o cd Ulsterror, com todas as demos de 82-83, incluindo o show no Sesc Pompéia em 82 (O Começo do Fim do Mundo). O último lançamento foi o cd "Aperte o Gatilho" com músicas das duas fases da banda, covers e participações de gente como Fabião (Olho Seco), Borella (na época só no FDS), Gepeto (Ação Direta), entre outras pessoas. Em 2001 vai sair um cd split Ulster / Força Macabra! Aguardem!